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Mediunidade Pedagógica é a coleção de livros que a ABPE lançou neste dia 7 de março último, numa co-edição com a Editora Comenius. Os primeiros quatro livros da série são:

Meditações de Pestalozzi (psicografia Dora Incontri)

O Educador de Comenius (psicografia Dora Incontri)

Livrinho das Mães de Montessori ((psicografia Dora Incontri)

A Lenda das duas Rainhas - Inspiração mediúnica de Franklin Santana Santos

A proposta da coleção é A mediunidade resgatada na sua função de educar os espíritos. Uma mediunidade analisada, racionalizada, passível de questionamento, séria, comprometida com a busca da verdade.

A mediunidade, como propunha Kardec, sem que o médium se faça guru, sem exaltações personalistas, sem nenhuma busca de projeção ou lucro.

A mediunidade que se constrói pedagogicamente através da sujeição à crítica e dos parâmetros éticos e, ao mesmo tempo, contribui para elevar e abrir caminhos.

A mediunidade que se faz diálogo natural e despojado com os Espíritos, numa interação igualitária, fraterna e educativa.

Seguindo essa proposta, essas obras foram lidas e analisadas por várias pessoas, espíritas e não espíritas, para sua avaliação.

Aqui, duas opiniões abalisadas. Uma, da professora Bohumila Araújo, checa, especialista em Comenius e a outra do Professor Ney Lobo:


O texto “O Educador” de Dora Incontri transmite claramente o código de pensamentos e ações do teólogo, filósofo e pedagogo tcheco Jan Amos Komenský (1592-1670), mais conhecido pelo nome latinizado Johannes Amos Comenius. Os temas, levantados um por um, desde “O Educador em si mesmo” até “O Educador e a morte” se inserem com incrível perfeição no ideário comeniano.

É o educador, que, depois de perambular pelos labirintos do mundo, encontra o Deus e paz de espírito dentro do seu próprio coração. É esta figura extraordinária que se dirige a todos educadores, convocando-os para a missão pedagógica, pedindo que todos se tornem educadores do espírito. Neste contexto é ressaltado, a seguir, o princípio socrático de conhecer a si mesmo, de extrema importância para aqueles que vão assumir a tarefa de ensinar.

As colocações de Dora Incontri sobre a necessidade do educador precisar estudar e se educar constantemente, inspirando-se nos grandes mestres, me remeteram à “Didática magna”: abri o querido livro (edição brasileira de 1954) na página 38 para ler: “Os que me conhecem de perto sabem que sou homem de inteligência medíocre e de limitada cultura. No entanto, lamento os males da nossa época e desejo mais que ninguém corrigir nossos defeitos e não só por meio das minhas descobertas como das dos outros. /..../ Cristo sabe que é tão simples meu coração que não encontro diferença entre ensinar e ser ensinado, advertir e ser advertido, ser doutor dos doutores e discípulo dos discípulos.” Esta comovente humildade vem ao encontro da idéia da necessidade do educador se apresentar sempre como “permanente aprendiz da vida, sempre de coração aberto a novas conquistas espirituais.”

A bela imagem da árvore do saber, presente no texto, tem sido sempre utilizada pelo Mestre das Nações para demonstrar a importância da organicidade do processo ensino-aprendizagem. Como diz o texto, “conhecer não é armazenar informações desconexas, sem sentido e sem aplicação prática.” O simbolismo da árvore do saber traz para nós a mensagem da harmonia, totalidade, unidade, envolvendo a matéria e o espírito, alimentados pela mesma seiva.

A visão da eternidade suaviza a grave crise decorrente da violência, das injustiças, da ignorância, da discriminação, dos preconceitos, da fome e do analfabetismo, os males que atormentam hoje em dia toda a humanidade. A pansofia comeniana, a sabedoria universal, deve englobar todos os ramos do conhecimento, desde ciências até a religião, a espiritualidade, a mística, a arte e a filosofia. “O educador” quer nos avisar que a educação é assim um dos mais poderosos instrumentos para formar atores do futuro, trazendo novos paradigmas e novas tendências, apontando para a necessidade da defesa do meio-ambiente e para a integração ética de todos os seres humanos e em todas as áreas de conhecimento e profissões. A oração do educador que, em alguns aspectos lembra o estilo da oração de São Francisco, realmente parece ter saído da pena de Comenius:
“Cristo, ensina-me a amar como Tu amaste;
Ampara-me para que eu ampare a todos indistintamente;
Guia-me para que eu me torne um condutor despretensioso de outras criaturas;
Orienta-me para que eu saiba orientar com dignidade e amor;
Faze-me um instrumento da tua Pedagogia Divina, para que eu saiba ser um semeador de almas, um educador para a eternidade.”

O texto lembra a importância que as virtudes tem para o educador, citando desprendimento, humildade, caridade, paciência, generosidade, sabedoria, todas elas levando à serenidade e à paz de espírito. De novo abro a “Didática magna”, desta vez na página 125, para ler as seguintes palavras: “Diadema de ouro no focinho de porco é a erudição no homem sem virtudes”. Considero esta mensagem de extrema importância agora, neste conturbado início do Terceiro Milênio, quando é possível observar e sentir que a educação não é nada no homem sem caráter, sem virtudes – em vez de se transformar em sabedoria, boa, bela e útil à sociedade, transforma-se em esperteza, malícia e ganância. Convém inclusive lembrar que na “Didática magna” é dedicado um capítulo inteiro ao método de ensinar os costumes comportamentais recomendados (Caput XXIII: Methodus morum).

Ao me debruçar sobre “O Educador” sinto a presença de Comenius, trazido para o nosso contexto atual, que está marcado por violência e fragmentação do conhecimento e fragmentação do próprio homem, ressaltando a intenção de nos ajudar a superar os problemas hodiernos, abrindo o caminho para o Cristo, através da educação. Os subtítulos “O educador e a espiritualidade”, “O educador diante de Deus”, “O educador e a natureza” e “O educador e o Cristo” refletem o ideário filosófico do grande Mestre de ver o processo ensino-aprendizagem inserido na busca da trascendência em sintonia com a Eternidade e Divindade. Comenius com freqüência apontava para a visão da totalidade, necessidade de construir pontes entre vários conhecimentos, considerar todas as coisas em conjunto e em suas relações: sumantur omnia simul. Está aqui também presente a máxima comeniana omnes, omnia, omnino – a todos tudo totalmente, no seu sentido mais amplo possível.

Como um todo, “O Educador” reforça a idéia da educação permanente, desde o nascimento até a morte. Como se afirma na Pampaedia (quarta parte da Consulta geral sobre a reforma das coisas humanas), “o mundo é escola para todo o gênero humano, desde o início dos séculos até o fim, assim como também a cada homem, toda a sua vida é escola, desde o berço até a sepultura.” Por isso mesmo na Pampaedia aparecem oito escolas: do nascimento, da infância, da puerícia, da adolescência, da juventude, da idade adulta, da velhice e da morte. Como está dito no último subtítulo (O educador e a morte), “saber-se mortal, sentir-se de passagem, sem moradia permanente neste mundo, estar convicto da própria transcendência são condições importantes para o cultivo da espiritualidade, do desprendimento dos bens terrenos e para o engajamento na melhoria do próprio coração.” Esta é, sem qualquer dúvida, a voz de Johannes Amos Comenius, homem que procurou introduzir, por meio da educação, a compreensão e a harmonia entre todas as nações do mundo.

Salvador, 15 de julho de 2008.

Bohumila Araújo.

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DOIS ENCONTROS EM POSIÇÕES INVERSAS
DE DOIS GRANDES PEDAGOGOS DO SÉCULO XIX
(Fato gerador: livro de Pestalozzi, psicografado por Dora Incontri)

Johann Heinrich Pestalozzi, em sua última peregrinação terrestre, lançara e vivenciara, de modo insuperável por qualquer outro, a não ser pelo Meigo Rabi da Galiléia, a “Pedagogia do Amor”. E a ele, Pestalozzi um pouco mais tarde, se emparelhou seu discípulo, o pedagogo francês Allan Kardec, codificando a Doutrina Espírita e instituindo a “Pedagogia do Espírito” (D.I.) naquela doutrina implícita.

Ambos articulados, mestre e discípulo, por um só sentimento de aperfeiçoamento pedagógico-espiritual das almas. O primeiro, Pestalozzi, instaurando o amor às crianças, como o excipiente condutor veicular indescartável do educador, induzindo nos espíritos dos educandos o impulso do autodesenvolvimento na rota do Bem. O segundo, Kardec, explicitando esse autodesenvolvimento pelo conhecimento científico-experimental dessas almas, encarnadas ou desencarnadas, como o alvo preferencial do esforço educativo do educador, ou seja, submetidas ao processo pedagógico de evolução espiritual.

E esse foi o Primeiro Encontro e terrestre dos dois grandes pedagogos do séc. XIX numa relação educativa formal mestre-discipulo.
Confesso que acolhi o encargo de opinar sobre a mensagem, apenas como curiosidade (de qualquer curioso), uma disposição mental tão subalterna e despojada. Todavia, após a primeira leitura do texto, a curiosidade engrandeceu-se, sublimou-se em admirável surpresa: o discípulo elevara-se a mestre, e este em discípulo, embora não rebaixado. Mas tão somente porque endossou, na mensagem que recentemente transmitiu, a doutrina dos Espíritos, que já tinha sido estudada, pesquisada, codificada e divulgada pelo seu discípulo

E desta mensagem é dedutível que tenha havido um Segundo Encontro não formal entre os dois pedagogos. Onde teria se dado esse Encontro? Todos os espíritas sabem....

Até me poderia parecer, apenas inteligível que tivesse sido lavrada uma “ata” desse Segundo Encontro e recebida pela Profª Dora Incontri. Mas devo sopitar esse arroubo imaginário, ou não saberei mais onde pousar de tão alto vôo...

Não obstante, dando prosseguimento em terreno mais sólido, mais sensível, é possível considerar a hipótese de que o Mestre Admirável de Iverdon, em sua última existência terrestre, já aninhasse na sua alma bondosa e esclarecida as sementes de uma maravilhosa intuição: a das linhas mestras da Doutrina e da conseqüente Educação Espírita.

Naquele Primeiro Encontro, terrestre, Kardec, na posição de discípulo, elevara-se ao patamar de Pestalozzi, incorporando a sua doutrina pedagógica. Posteriormente, no Segundo Encontro, Pestalozzi alcança e se emparelha a Kardec, assumindo a Doutrina que este codificara e divulgara. Ambos assim emergem unidos do contexto histórico em posições complementares e paritárias. Mestres ambos da mais excelsa, verdadeira e eficaz Doutrina Pedagógico-Espiritual que a humanidade pode aspirar neste planeta e educandário de expiação e provas.

“Parece-me que minha voz é como uma voz clamando no deserto, preparando o caminho de outro alguém que virá depois de mim. Muitas vezes me parece que eu mesmo não sei o que faço e para onde vou”.
Pestalozzi (apud Dora Incontri)
“Não há apenas um elo sentimental e casual entre Pestalozzi e Kardec, mas uma colaboração de trabalho para a edificação do Reino. São ambos discípulos do mesmo mestre que a todos nos inspira”.
(Dora Incontri)

Com o meu maior apreço.
NEY LOBO
“Evolução pela Educação"


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